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FEY 60 anos

Nosso 1º entrevistado de 2026 é vice-presidente de operações de uma das mais sólidas indústrias de fixadores no Brasil, e na América do Sul.

12/02/2026

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FEY 60 anos

Revista do Parafuso: Se estivesse aqui, *Peter Drucker poderia lhe fazer sua famosa pergunta: “Se fosse hoje, vocês entrariam no mercado em que estão?” Caso, sim, cite algumas das razões.
Ricardo Fey: Sem dúvida, esta é uma pergunta difícil de responder. Os tempos mudaram. Há quase 60 anos, o desafio estava 'dentro': desenvolver tecnologia e estrutura do zero. Hoje, a tecnologia está disponível, mas o grande obstáculo está no mercado. Iniciar uma fábrica de fixadores do zero, em um ambiente extremamente competitivo e com a China à porta, aumenta significativamente a incerteza do sucesso. Para alcançar um nível mínimo de competitividade, são necessários investimentos pesados. A FEY, por exemplo, aposta na verticalização para se manter competitiva.

Fabricantes de fixadores não têm vida fácil no Brasil. Muitas dessas fábricas se encontram mal conservadas, inclusive no maquinário. Então, qual é a “dieta” que faz da FEY um exemplo em sentido contrário?
Acredito que um dos segredos que levou a FEY a ser reconhecida como uma empresa de ponta está nos ensinamentos de nossos fundadores. Tudo começa pela crença em nosso potencial e no fazer diferente. Essa visão nos impulsiona a investir continuamente em máquinas, processos e pessoas. Em nosso segmento, é essencial investir hoje pensando no amanhã. Desde cedo aprendemos que “o dinheiro fica na empresa”— um princípio que, atualmente, chamamos de governança. Hoje, nós, da segunda geração, trabalhamos intensamente na formalização desse processo, mas os pilares mais importantes vêm sendo praticados há 60 anos, mesmo que de forma inconsciente. Atualmente, nossa família possui outros empreendimentos, como, por exemplo, a Vale do Selke Sistemas Construtivos. Os princípios são exatamente os mesmos. E funcionam.

Sobre investimentos e inovações, dificilmente se fala sobre erros. Livros só abordam sucessos. Onde alguns parafuseiros brasileiros não estão acertando,se existem empresas do mesmo segmento com melhor sorte nas escolhas?
Como mencionado anteriormente, o ambiente externo é hoje muito mais desafiador. Para um fabricante, são necessários investimentos pesados apenas para atingir um nível mínimo de competitividade. Isso exige verticalizar praticamente todos os processos — e, mesmo assim, muitas vezes não é suficiente. Considero isso o básico, mas na FEY, o diferencial não está no preço. Nosso foco é qualidade e serviço, fatores que fazem com que nossos clientes, frequentemente, nos priorizem. Não buscamos ser os maiores. O que nos move é ser melhores hoje do que ontem.

Ao longo de sua trajetória de 25 anos na empresa, o que você mais ouviu dos fundadores que lhe marcou, como conselhos e avisos?
Em 2016, quando a FEY completou 50 anos, definimos, em conjunto com nossos fundadores quais foram os valores que nos trouxeram até aqui. Hoje, esses valores estão em todos os cantos da empresa. Cada colaborador que entra na Fey aprende pessoalmente com minha prima, a Claudia Fey, cada um dos valores. Nós os denominamos Valores Y-8. São eles:
1. Simples na forma de agir
2. Hoje melhor do que ontem
3. Empreendedores por natureza
4. Líder pelo exemplo
5. Vá ver
6. Pessoas como bem maior
7. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar
8. Ética nas relações e compromissos

No dia a dia deste setor, o que mais motiva e o que mais te desmotiva?
Estamos em um nicho pequeno. Nosso produto está presente em todos os lugares e desempenha um papel fundamental na cadeia, mas, muitas vezes, passa despercebido. Estamos classificados como C-Parts nos departamentos de compras, o que impõe desafios no relacionamento inicial. Porém, quando o cliente tem a oportunidade de nos visitar, tudo muda. É comum imaginarem que somos pequenos e desorganizados — percepção que cai por terra assim que chegam à nossa portaria, veem nossa estrutura e são bem recebidos pelo primeiro colaborador que encontram. Esse momento nos motiva e nos enche de orgulho.

Pode nos falar sobre a comemoração em 2026 e sobre a visão de como a FEY estará daqui a 10 anos?
Nosso aniversário será celebrado ao estilo FEY: simples e bem feito. Faremos uma grande festa junto aos nossos colaboradores, que são a base de tudo que construímos. Se você observar, até a celebração está 100% alinhada com nossos valores. Pensar nos próximos 10 anos não é tarefa fácil, mas temos uma estratégia clara para desenvolver novos produtos e conquistar novos mercados. Acreditamos que nosso diferencial nos permitirá crescer mais e chegar a diferentes regiões do mundo. Ainda assim, manter os pilares que unem nossa família é o mais importante. Hoje somos uma família que cresceu: o sr. Adolfo teve dois filhos — eu e meu irmão Fernando. O sr. Bertoldo também teve dois — meus primos Luciano e Claudia. E já contamos com nove membros na terceira geração. Uma governança sólida será essencial para que os próximos 10 anos sejam tão bem-sucedidos quanto os 60 que passaram. É assim que pensamos, e juntos, chegaremos aos 100 anos.
 
*Peter Ferdinand Drucker: escritor, professor e consultor administrativo é considerado pai da administração ou gestão moderna.

ricardo@fey.com.br